Viagem a um dos destinos religiosos mais importantes do mundo: Israel
Local de culto para as três principais religiões monoteístas do mundo – islamismo, judaísmo e cristianismo –, é também aqui que se encontram três mil anos de história – e não apenas de fé. Na cidade moderna encontram se as atrações culturais, artistas e gastronómicas.
No interior das muralhas da Cidade Velha encontra-se um pouco de tudo – mas já lá iremos.
Antes de embarcar no voo, as perguntas são rigorosas. Por questões de segurança, os responsáveis da companhia aérea israelita querem saber detalhes como «a que horas foi feita a mala de viagem», «com quem estava nessa altura», «se conhecemos alguém de Israel» ou «se iremos andar sozinhos pelo país». Superado o inquérito e realizado o voo de cinco horas – direto a partir de Lisboa, desde outubro –, chegamos ao Aeroporto Internacional Ben Gurion. Até Jerusalém são cerca de 40 minutos de carro (e cerca de 20 para Telavive. O trânsito de acesso às principais cidades começa cedo, pelas seis da manhã, e é vivido como nos filmes: com muitas buzinadelas e gritaria.
Primeira paragem, pela mão do guia do Turismo de Israel que nos acompanha na visita: uma vista panorâmica da cidade, do deserto à fronteira com o Egito. Segunda escala: nova vista panorâmica, para conhecer o Mount Scopus. Desta vez, a vista é sobre a Cidade Velha, perto do mais antigo cemitério da cidade. «Este é o maior cemitério judaico do mundo e é aqui que se acredita que serão ressuscitados os primeiros mortos quando o Messias chegar», explica. «É um dos locais mais visitados da cidade.»
No Monte das Oliveiras, a poucos metros, encontra-se a Capela da Ascensão, local sagrado onde os católicos acreditam que Jesus terá subido aos céus. Atualmente está sob domínio muçulmano e não é de fácil acesso para judeus.
Às sete da manhã (menos duas horas em Angola), o Jardim de Getsêmani, onde se podem ver as oliveiras mais antigas do país, e a igreja de Todas as Nações, ortodoxa, estão repletos de turistas. Na sua maioria, oriundos
dos Estados Unidos, Inglaterra, Coreia do Norte e Brasil.
Dentro das muralhas da Cidade Velha cabem cerca de seis quilómetros quadrados, três mil anos de história e três religiões monoteístas. A entrada faz-se pela Porta de Jaffa, uma das que faz a ligação com o centro da cidade.
Nas muralhas existem mais oito portões. Um destes, o da Misericórdia, está fechado há vários anos. A justificação? Acredita-se que a chegada do Messias será feita por ali e só nessa altura se abrirá.
As crenças, as promessas, as juras, os pedidos e as esperanças de muitos israelitas são depositadas aqui, na Cidade Velha. O local tem uma energia própria, um sentido só seu e poucos sítios no mundo se poderão comparar.
A população de Israel fica um pouco abaixo dos nove milhões de pessoas.
[Cerca de 850 mil vivem em Jerusalém].
Lugares como o Muro das Lamentações – um dos mais simbólicos do país –, dividido por género, tal como acontece em muitas sinagogas de Jerusalém, exige ser sentido de perto. Não há fotografias nem frases que expliquem esta mística. A força e a fé de quem confia a sua vida a algo superior tem um poder transcendente difícil de explicar.
As mãos ficam coladas ao Muro e é nos papéis que se escrevem as Lamentações. Há rezas, há choro, há fotografias, há curiosidade e há paz. Além disso, há o respeito cultural e religioso de um local que se vai adaptando às diferenças.
Nos bairros muçulmanos, no bairro arménio, no bairro judeu e no bairro cristão essas mesmas diferenças são bem percetíveis. No Bairro Arménio – o mais pequeno – está a Catedral de St. James, centro espiritual do bairro. No Cristão, um dos locais assinalados é a Igreja de Santo Sepulcro, o local exato onde Jesus terá sido crucificado, enterrado e ressuscitado.
A construção, datada do século XII, tem no seu interior a Pedra da Unção, perante a qual os crentes se ajoelham e beijam em homenagem a Jesus, e ainda a Edícula, local onde se crê que Jesus foi sepultado depois da
crucificação.
Sendo um dos maiores símbolos do cristianismo, as filas para entrar costumam ser enormes. À entrada, como é
habitual nos locais mais sagrados, procede-se à revista de todas as pessoas por elementos do exército.
Para os cristãos, a Via Dolorosa é também um dos locais mais especiais da Cidade Velha. Muitos decidem fazer
o mesmo caminho que, acreditam, Jesus terá feito enquanto carregava a cruz. Todas as estações estão
assinaladas e há quem recorde esta passagem com emoção.
O Muro das Lamentações é o único vestígio do antigo Templo de Herodes.
[Tem 488 metros de extensão e 19 metros de altura.]
No Monte to Templo está a Cúpula da Rocha. As arquiteturas do espaço superam qualquer expectativa e é,
novamente, um dos locais que mais atrai turistas.
O local está também protegido por fortes medidas de segurança policial e não são permitidas roupas (saias ou
calções) demasiado curtas. O acesso à Esplanada das Mesquitas e ao Monte do Templo tem as mesmas regras,
assim como a Mesquita de Al-Aqsa.
Este é um dos palcos de maior tensão do país, especialmente entre judeus e muçulmanos. Atualmente, as visitas têm de ser feitas antes das dez da manhã, porque a entrada é permitida somente a muçulmanos – para quem este é o local de ascensão de Maomé aos céus. Já os judeus acreditam que será ali a construção do Terceiro Templo, quando chegar o Messias.
Pelas ruas que ligam os bairros, o comércio é rei. Objetos sagrados, lenços, loiças ou símbolos alusivos a Jerusalém são os que agradam mais aos turistas. À frente dos negócios não existem mulheres. São os homens que apelam por clientes e discutem preços.
A Basílica do Santo Sepulcro é o local onde Jesus Cristo terá sido sepultado. Fica no Bairro Cristão da cidade.
Fora das muralhas há outra vida. As zonas hoteleiras, os restaurantes mais apreciados, os museus e as galerias de arte são propriedade da zona mais moderna de Jerusalém. Perto do Arthur Hotel, numa das zonas pedonais da cidade, existem vários restaurantes, lojas e bares. À noite, música ao vivo e diversão preenchem as ruas, enquanto o álcool começa a fazer efeito.
De manhã, regressa a graciosa luz da cidade e a tranquilidade habitual.
Telavive e Jaffa
A viagem até Telavive é curta. São apenas quarenta e cinco minutos que se fazem em pouco tempo, assim o trânsito entre as duas principais cidades israelitas o permita.
As gruas parecem não parar, em constante trabalho, disputando o horizonte com os edifícios altos do centro financeiro do país. A cidade continua a crescer, em altura e em área, o que contrasta com os antigos bairros construídos pelos alemães, agora pejados de restaurantes e cafés.
Sarona, por exemplo, tem vários espaços de restauração, todos com esplanada. Famílias, funcionários públicos, trabalhadores das empresas locais, todos aproveitam estes espaços e a meteorologia ajuda – em Israel, entre março e novembro a temperatura nunca desce dos 15.º C. A poucos metros, enchem-se os espaços verdes da zona. Crianças, jovens e idosos aproveitam para exercitar, passear os animais de estimação, beber um café ou
apenas descomprimir.
Todos os anos, em junho, decorre em Telavive a Marcha do Orgulho LGBT. A não perder!
No mercado Sarona (onde, mais uma vez, se exige o controlo de segurança), o destaque vai para os locais de restauração – típicos do Japão, Itália ou locais. Ao que à doçaria diz respeito, anote este nome: Halva. O doce feito de Gergelim, típico do Médio Oriente, pode ser misturado com outros sabores, como pistácios, café ou baunilha. Apresenta-se sempre com o mesmo formato: alto e redondo. Mas sempre irresistível.
De passagem para a Rothschild Boulevard, uma das principais avenidas de Telavive e a primeira rua construída na cidade, paragem no Expresso Bar Kiosk, um dos locais característicos da zona e, simultaneamente, um dos mais frequentados.
Tempo de passar pelo Museu da Independência de Israel, que mantém a sala onde David Ben-Gurion declarou a independência do país, a 14 de maio de 1948, intacta.
Telavive é também cidade de mercados. O de Carmel, ao ar livre, caracteriza-se pela abundância de legumes, frutas e especiarias típicas. Há também roupas, principalmente alusivas a clubes e seleções de futebol – e, claro, surge o nome de Cristiano Ronaldo em muitas delas.
Perto está também o Nahalat Binyamin Market, uma feira de artesanato, que só tem lugar às terças e sextasfeiras. Por vezes, junta-se a este mercado a cantora israelita Miri Aloni. Neste dia brindou o público com a guitarra. A artista tornou-se conhecida no país, especialmente depois de ter interpretado «Shir LaShalom» (a Música da Paz), com o ex-primeiro-ministro de Israel e Nobel da Paz Yitzhak Rabin, momentos antes de este ser assassinado, em novembro de 1995.
Ao fim do dia, faz-se a visita ao Parque Charles Clore, com vista para o mar Mediterrâneo e para Jaffa, a antiga cidade portuária de Israel, agora transformada numa região turística.
A Feira de Antiguidades de Jaffa: É uma das principais atrações da região.
Em Jaffa poderá encontrar vários restaurantes com vista para o mar, visitar algumas igrejas e desfrutar da naturalidade do espaço. Por aqui, fazem-se também algumas feiras de antiguidades e artigos em segunda mão, bastante apreciadas pelos israelitas.
À noite, regresso a Telavive, a cidade mais aberta e cosmopolita de Israel, «Very friendly» e moderna, com espaços para todos os gostos. Dos bares mais descontraídos, como o caso de Dede, às discotecas mais vibrantes, como a Kuli Alma.
À saída de Israel, regressa o interrogatório:
[«Tem armas?»; «Encontrou-se com alguém?»; «O que leva na mala?»]. Resposta: “Vontade de regressar”!






